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Exposição de fotografias: Nossa
seção Brasil: Geografia, Folclore e Arte Regional,
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vez da artista plástica Marici Bross que nos mostra
as maravilhas da natureza e a parte histórica de João
Pessoa na Paraíba.
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Pessoa-PB]
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e monumentos históricos de João Pessoa-PB]
As Armadilhas da Omissão, de Antônio
Manoel Abreu Sardenberg. O artigo hoje publicado mostra a
realidade das estradas brasileiras, através de uma
viagem do Rio de Janeiro a Minas Gerais. Além dos buracos,
crateras e outros obstáculos convencionais desta vez
houve até um sofá no meio da estrada. Não
deixe de ler.
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As armadilhas da omissão
Antônio Manoel Abreu Sardenberg
Parodiando
O GRANDE MESTRE
Carlos Drumonnd de Andrade
No Meio da Estrada
No meio da estrada tinha um sofá
tinha um sofá no meio da estrada
tinha um sofá
no meio da estrada tinha um sofá.
Recentemente tive que fazer uma viagem
a Minas Gerais. Como de costume, procurei inteirar-me com os
amigos, principalmente com os donos de transportadoras, sobre as
condições das estradas que teria que percorrer. Fui alertado
de que as estradas de Minas estavam em péssimo estado de conservação.
Cheias de buracos, totalmente abandonadas e entregues
ao “deus-dará”.
Como a viagem era muito importante para
mim, e praticamente inadiável, não dei muito ouvido aos comentários
alarmantes que me foram passados. Quem está acostumado
a trafegar pelas estradas do Estado do Rio de Janeiro
não acredita que possa existir na região sudeste do país rede
viária em pior situação.
Achei que iria encontrar alguns buracos,
cascalhos, animais na pista e até mesmo as “pedras
do meio do caminho”, cantadas em versos pelo grande
e inesquecível poeta e escritor mineiro de Itabira, Carlos
Drumonnd de Andrade.
Pedras no meio do caminho, no sentido
mais denotativo da expressão, são coisas corriqueiras; de
vez em quando tropeçamos nelas, até mesmo nos grandes centros
urbanos.
Arrumei a minha pequena bagagem, pois
a viagem seria curta, e peguei estrada.
Enfrentei os buracos do meu Estado, pois
todos nós temos os nossos buracos de cada dia e os nossos
governantes de cada quatro anos, que as vezes se transformam
em oito.
Segui a viagem da forma mais cautelosa
possível e, com muita dificuldade, fui desviando de um
buraco aqui, outro ali e acolá. Aliás, o que mais fazia
era desviar de buracos.
Não demorei muito para constatar que estava trafegando em
buracos com alguns vestígios de estrada. E, assim,
fui seguindo viagem até chegar na divisa entre o Estado
do Rio e Minas Gerais. Não acreditava que as estradas
de Minas pudessem estar pior! Enganei-me redondamente,
pois estavam!... Acho até que resolveram usar a receita
do queijo-de-minas para fazer asfalto. O famoso
queijo mineiro, todo furadinho, é maravilhoso, e
quanto mais buraco mais gostoso! Mas em se tratando de estrada
o buraco é mais embaixo!
Tive que redobrar a atenção, reduzir para
30 km a velocidade que estava sendo usada no Estado do Rio,
que era de 40 km. E fui seguindo em frente ouvindo um
CD - isso quando os buracos deixavam. Em cinco
horas de viagem, consegui ouvir a metade de uma música que
normalmente dura 3 minutos e 40 segundos.
Cada buraco era uma porrada e em cada
porrada a música voltava ao ponto de partida.
Quando estava praticamente no meio da
viagem, os buracos começaram a aumentar.
Pensei em voltar, mas o compromisso assumido não poderia
fazer-me recuar, por maior que fossem os buracos.
E lá fui eu, enfrentando os buracos surgidos
pela irresponsabilidade dos governantes. Cada porrada, um
palavrão; cada palavrão, um remorso... O que vim fazer nesse
buraco?
Você está achando a história cansativa? Imagine o cansaço
meu naquela buracada toda!
O tempo começou a ficar nublado e o sol
que brilhava intensamente escondeu-se entre as nuvens. Desliguei
o CD, que ainda estava na metade da primeira música há mais
de 5 horas e comecei a assoviar. Tenho esse
hábito, uma forma de procurar ficar mais relaxado. Torcia
para não chover, pois se chovesse estaria afogado nos buracos.
Depois de viajados mais ou menos uns 230
quilômetros, vocês não imaginam, com o que me deparei depois
de fazer uma curva mais fechada! Não foi a pedra
do meio do caminho do Drumonnd, nem boi, nem vaca, nem cabrito, nem
gente. Deparei-me com um sofá
no meio dos buracos! Um
sofá (móvel estofado
onde podem sentar-se duas ou mais pessoas). Fiquei
atônito, estupefato, espantado, confuso...
Parei, fiquei olhando aquele sofá na minha
frente sem saber exatamente o que faria. Se ria da cena pitoresca
ou se chorava por ver um país chegar a essa situação lastimável.
Como tinha pressa em chegar, desviei-me do
sofá e segui a jornada.
Já não sabia se pensava sobre o meu compromisso
ou sobre o sofá. Fiquei com a cabeça confusa. Achei que estava
sonhando.
Algum de vocês já encontrou um sofá no
meio da estrada? Duvido!
Cheguei ao meu destino, fui muito bem
recebido pelas pessoas que me esperavam, resolvi o que tinha
que resolver. Mas não parava de me culpar = Por que não tirei
uma foto daquele sofá? Nunca mais vou
ter outra oportunidade! E fiquei chateado por ter passado
batido. Não acreditava que o sofá pudesse estar mais no meio
da estrada esburacada, quando voltasse.
No retorno, já havia esquecido um pouco
do sofá. Mas parece que os buracos aumentaram. Vocês já prestaram
atenção que sempre o lado da nossa “mão” é
pior, tem mais buraco?
A atenção tinha que ser redobrada. Seguia cauteloso, mais
cauteloso do que na viagem de ida. Quando novamente, ao fazer
uma curva, lá estava o sofá! No mesmo lugar, exatamente no
mesmo lugar, altivo e imponente! Era o dono do pedaço!
Aí, como não tinha mais compromisso e
nem hora para chegar a casa, resolvi descer do carro, apanhar
minha máquina e fotografar o sofá.
Quando estava tirando as fotos, chegou
um senhor humilde, certamente um trabalhador rural, e ficou
vendo o sofá sendo fotografado. Como ele ficou calado, resolvi
provocá-lo:
- Boa tarde, qual é o seu nome?
Ele timidamente me responde:
- Boa tarde, meu nome é Hilário.
- O que é isso seu Hilário?
E ele com a cara mais angelical
do mundo respondeu :
- É um sofá!
- Que é um sofá eu sei, mas o que ele está
fazendo aqui?
E ele pacientemente me respondeu:
- Eu coloquei aqui.
Fiquei irritado e cheguei a adverti-lo
de forma um pouco áspera.
- Como o senhor coloca um sofá no meio dos buracos do asfalto?
Não sabe que isso pode causar um acidente? Ele então
retrucou:
- Doutor, acidente era antes de colocar o sofá. Debaixo
dele tem um buraco que já provocou mais de dez acidentes graves. Por
essa razão coloquei o sofá, que serve para tapar o buraco e ser
usado para acomodar as pessoas que são acidentadas, até chegar
a ambulância.
As pessoas sentam nele e descansam e com
isso aumentou a minha venda de água de coco.
Pedi que ele tirasse o sofá de cima
do buraco só para ver. Quando ele arrastou o sofá e vi
a cratera, apertei a mão do trabalhador e lhe dei um
abraço bem forte. Se ele não tivesse colocado aquele sofá
ali certamente não estaria aqui contando esta
história, provavelmente teria sido mais uma vítima da irresponsabilidade
dos "governantes".
Como estava com sede pedi uma água de
coco. Estava doce e gelada. Perguntei quanto era e ele disse que
era um real. Dei dez e deixei o troco com ele como
pagamento pela caridade que ele estava prestando aos viajantes. Despedi-me
com um aperto de mão e continuei a minha viagem pelos buracos,
filhos da irresponsabilidade e omissão do Estado.
Na realidade não sei se o buraco é Federal,
Estadual ou Municipal. Só sei que o sofá é do agricultor que,
como cidadão que é, buscou o que estava ao seu alcance para
proteger os usuários dessas estradas abandonadas e esquecidas
pelo poder público.
Como cidadão tenho que questionar: para
onde vai o dinheiro do IPVA, IR, CPMF, IPTU, ITR, ISS, INSS,
ICM, dos Royalts, enfim, para onde vai o dinheiro que, de
forma escorchante, é arrancada do bolso dos brasileiros sem
dó nem piedade?
Hoje o governo não tem como exigir qualquer
obrigação da sociedade, porque ele é o mais omisso, o mais
irresponsável.
Como reduzir os acidentes nas "estradas"
se não temos estradas? Lei não diminui acidentes. O que estamos
vendo nas "estradas" brasileiras é a prática do
crime de omissão do poder público, que procura conter a violência
desarmando a população, enquanto fecha os olhos para as armadilhas
que estão deixando nas rodovias, que ceifam milhares e milhares
de vida por ano.
Eles não se preocupam com os buracos.
A maioria só anda de avião, assim mesmo as custas do dinheiro
público gerado pelos impostos subtraídos sem dó nem piedade
do trabalhador e que deveria ser muito bem utilizado em benefício
da coletividade, já que o poder emana do povo e em seu nome
deve ser exercido.
Estou fazendo a minha parte. Não ando
sem uma máquina fotográfica. Cada “buraco” ou
cada “furo” que o governo deixar e que for observado
por mim, será fotografado. Cada pneu que for estourado por
conta de um buraco será um processo contra o poder público.
Não importa se a ação vá durar um ano, dez anos ou a vida
toda, farei a minha parte. Se cada brasileiro fizer isso,
o Brasil muda.
Sugiro aos responsáveis pela estrada que
fica no trecho entre Palmas e Leopoldina / MG que saia do
seu gabinete refrigerado, com carpetes, secretárias, motoristas, telefones,
cafezinhos, etc.etc.etc. para, pelo menos uma vez
por semana, despachar do sofá que o seu Hilário colocou
para proteger os usuários da “estrada”, ou melhor
dos buracos. Só assim eles ficarão sabendo que a sua irresponsabilidade
está tirando vidas, mutilando pessoas e envergonhando a maioria
dos cidadãos que pagam muito caro pelos buracos que eles constroem
através da inércia, da omissão e da incompetência.
Se eles aceitarem a minha
sugestão para despachar no sofá da estrada, prometo melhorar
o aspecto do sofá, que embora bem velho e acabado, está muito
melhor do que a maioria das estradas brasileiras.
Provavelmente o senhor Hilário como bom
brasileiro irá servir água de coco para matar a sede
desses incompetentes e irresponsáveis.
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